Radiohead-Just [Letra - Tradução]

Maria,
Eu tenho medo, mas não sou covarde.
Covardia é deixar alguém, que depende de você, abandonado, ao deus dará, jogar as responsabilidades que são suas para terceiros. Covardia é dizer-se 'amigo', saber dos problemas e contribuir, em nome da 'amizade', para que se chegue ao fundo do poço. Covardia é não ter vontade de ajudar a si.
Maria, corta o coração ver tanta covardia recaindo sobre pessoa que, se quiser, pode chegar muito longe. Um longe diferente do longe chão, do longe lágrima, do longe sangue.
Maria, o que fizeram? O que estão fazendo? Por Deus, o que você fez com você?
Peço:
-Mãe, me dá colo. Eu não agüento.Tenho medo, mas não sou covarde. Não tenho estrutura para suportar algumas coisas. Por mais amor, carinho e vontade.
Maria, por favor, não queira morrer.
Maria e o quê que a gente faz agora?
Nouvelle Vague - A forest [Letra - Tradução]

Eu estou em casa numa sexta, com a tarde livre? Piada? É, estou em casa mas este conceito de tempo livre nem lembro o que é. Escutando A Forest na versão do Nouvelle Vague, embora ainda seja mais o The Cure, imaginando quando é que eu vou ter o pazer de acordar, deitar no terraço, tirar outra foto do céu como esta, ver numa nuvem algo que só eu percebi daquela forma e nem precisar abrir o photoshop, as cores ficaram vivas como às 8:00 h da manhã de um domingo.
Ps: Há algo novo no Quadrado.
Norah Jones - Shoot The Moon [Letra -Tradução]

Eu poderia inventar motivos, inventar dores, inventar sensações. Poderia, mas não o faço, não mais. Eu precisava saber se saíria um novo som, para não passar milhões de noites perguntando como seria se eu tivesse tocado, naquele exato momento, o mesmo dó desafinado do piano.
Eu já o tocara outras vezes, mas não numa vez como aquela, aliás, todas as vezes são diferentes, e, nem sempre, o som foi igual. Precisava saber se, como dízima, se repetiria indefinidamente. Há muito parou de doer pelo corpo o dó, desafinado, desesperado, discrepante do ré afinado que tocamos. Não paramos mais para afiná-lo, ele já não é o mesmo.
Não senti dor, mas alívio...Alívio por lembrar das melodias afinadas tocadas em nossas teclas, o som doce, a harmonia. Alívio por não doer ao lembrar da primeira nota destoante, do romper das cordas e de quando as primeiras delas foram trocadas, algumas minhas, algumas tuas, algumas alheias, e o som, remendado, não foi mais o mesmo. Alívio pelo nosso dó estar lá, desafinado.
Alívio por entender que não trocaremos as cordas para por todas as nossas tirando o alheio.
Quando tocarmos pianos, estes serão novos, feitos com novas madeiras, novas cordas, novas teclas. Nossas, misturadas com alheias, ou nossas misturadas com nossas. E eu não saberia disso se não tivesse batido, escondida, novamente no nosso, antigo, dó desafinado...
Marina Lima - Pessoa

Hoje, meu coração saltou pela boca.
Correndo, derrubou as folhas no caminho,
Quebrou os vidros, demoliu muros,
Confundiu o trânsito.
Roubou asas, fez cair aviões.
Precipitou desejos.
Coloriu o branco.
Iluminou o breu.
Desfez o gris.
Arranhou-se nas cercas.
Vestiu-se de sorriso.
Escreveu em escarlate, azul e verde.
Fugiu.
Voltou, enfim, ao meu peito